- 77,3%
- preço como critério de escolha de materiais no estudo UCI
- 62,8%
- conforto
- 50,1%
- sustentabilidade
Gerir bem um orçamento não significa gastar mais. Significa gastar melhor.
O preço importa. Mas não conta a história toda.
Escolher materiais é uma das fases mais visíveis de uma obra. Pavimentos, revestimentos, torneiras, carpintarias, bancadas e equipamentos acabam por definir grande parte do resultado final.
É também onde existe uma forte tentação de comparar opções apenas pelo preço por metro quadrado ou pelo valor unitário. Num estudo da UCI/Spirituc sobre 611 pessoas que construíram habitação, o preço foi o critério de escolha de materiais mais referido, por 77,3% dos participantes. Seguiram-se o conforto, com 62,8%, e a sustentabilidade, com 50,1%.
É natural. Uma obra tem orçamento. Mas preço de compra e custo de utilização não são necessariamente a mesma coisa.
Imagine dois materiais
O primeiro custa 20% menos. O segundo tem maior resistência, necessita de menos manutenção e é mais adequado à utilização daquele espaço. Qual é mais barato?
Não é possível responder apenas olhando para a etiqueta. É preciso considerar quanto tempo se espera que dure, como será utilizado, se é fácil reparar e quanto custa substituir.
Laminado ou vinílico?
É um bom exemplo. Em vez de começar por perguntar qual é “melhor”, deveríamos perguntar: Onde vai ser aplicado? Vai existir contacto frequente com água? Que intensidade de utilização terá? Há animais? Qual é a condição da base? Que conforto acústico se pretende?
Só depois devemos escolher. Um material tecnicamente excelente pode ter mau comportamento se for aplicado numa situação para a qual não foi pensado. Da mesma forma, um produto mais económico pode ser perfeitamente adequado numa zona menos exigente.
A preparação também é material
Existe outro custo que muitas vezes passa despercebido: aquilo que fica por baixo. Um pavimento pode necessitar de nivelamento. Um revestimento exterior pode exigir impermeabilização adequada. Uma pintura durável depende da preparação da parede.
A qualidade do acabamento final nunca depende apenas do produto que vemos.
“Escolhi o mais barato. Ficou caro.”
A frase resume um erro frequente, mas não significa que devamos escolher sempre a alternativa mais cara. Esse seria apenas o erro inverso.
O objetivo é colocar o dinheiro onde ele produz valor. Pode fazer sentido simplificar determinado acabamento e investir mais numa boa impermeabilização. Escolher uma solução visualmente mais simples para libertar orçamento para caixilharias. Ou reduzir o custo num elemento fácil de substituir no futuro para proteger outro que ficará incorporado no edifício durante décadas.
Um orçamento bem gerido é feito de prioridades
Construir com rigor não é gastar indiscriminadamente. É perceber quais decisões serão caras de corrigir mais tarde. Essas merecem maior atenção. As restantes podem ser otimizadas.