- 3,57 M
- edifícios no parque habitacional português, Censos 2021
- 50,2%
- construídos até 1980
- 72,9%
- referiram conforto como motivo para obras no estudo UCI
Uma boa remodelação começa por diagnóstico, não por demolição.
Remodelar não é apenas substituir o que se vê
Em Portugal existe um enorme parque habitacional com várias décadas. Os Censos 2021 contabilizaram cerca de 3,57 milhões de edifícios habitacionais. Quase metade, 49,8%, tinha sido construída depois de 1980, o que significa que cerca de metade do parque era anterior a essa data. Apenas 3,1% dos edifícios tinham sido construídos entre 2011 e 2021.
Isto ajuda a explicar porque é que a reabilitação é uma parte tão importante da construção atual. Uma casa com 30, 40 ou 60 anos não deve ser analisada apenas pela aparência. Atrás de uma parede podem existir instalações antigas. Debaixo de um pavimento pode estar uma base inadequada. Uma pequena mancha pode ter uma causa bastante distante do local onde aparece.
“É só uma mancha.” Talvez.
Antes de pintar, importa perceber de onde vem. Humidade ascensional, infiltração exterior, condensação ou uma instalação podem produzir sinais visualmente semelhantes e exigir respostas completamente diferentes.
Pintar novamente pode resolver o aspeto durante algum tempo. Não significa que tenha resolvido o problema. O mesmo princípio aplica-se às fissuras. Uma fissura não deve ser avaliada apenas por ser “grande” ou “pequena”. Localização, orientação, evolução e contexto construtivo são informação importante.
No caso de edifícios antigos, o LNEC destaca a presença de água e sais solúveis como uma causa frequente de degradação de materiais porosos como pedra, cerâmicos e argamassas.
E a água parada numa varanda?
Quando a água permanece numa superfície exterior, substituir apenas o revestimento pode não resolver nada. A causa pode estar na pendente, nos pontos de drenagem, na execução das camadas inferiores ou na impermeabilização.
É precisamente este tipo de situação que distingue corrigir um sintoma de resolver uma causa.
Porque é que os portugueses fazem obras?
Num estudo da UCI/Spirituc sobre pessoas que tinham realizado obras em casa, 72,9% apontaram o conforto como uma das principais motivações e 65,6% referiram a melhoria das condições e renovação do espaço. A resolução de problemas estruturais foi mencionada por 31,1%.
Ou seja, a remodelação não é apenas estética. Na maior parte dos casos existe uma expectativa de que a casa passe a funcionar melhor. E isso exige olhar para aquilo que não aparece numa fotografia de “antes e depois”.
Antes de demolir, convém responder a algumas perguntas
O que é estrutural? Que instalações devem ser substituídas? Existem problemas de humidade? Como se comporta termicamente a casa? O que pode ser preservado? Que decisões vão interferir umas com as outras?
Só depois faz sentido começar a pensar seriamente nos acabamentos. Uma boa remodelação não consiste necessariamente em substituir tudo. Consiste em saber o que manter, o que corrigir e o que deve realmente ser substituído. É essa análise inicial que permite transformar uma intervenção estética numa melhoria real do edifício.