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Guia de obra

Construção · 3 min

Construir hoje não é construir como há 20 anos — e ainda bem

Eficiência energética, conforto, materiais e forma de viver a casa mudaram. Veja como a construção evoluiu nas últimas duas décadas.

≈50%
dos edifícios habitacionais foram construídos até 1980
3,1%
construídos entre 2011 e 2021
≈2%
área de edifícios renovada com foco em eficiência energética face a 2018, segundo monitorização ELPRE
Experiência não é repetir o passado. É utilizá-lo para tomar melhores decisões no presente.

Experiência não significa continuar a fazer tudo da mesma maneira.

Há vinte anos, muitas das soluções utilizadas numa casa eram perfeitamente normais. Hoje continuariam a funcionar. Mas isso não significa que continuassem a ser a primeira escolha.

Materiais evoluíram. As exigências energéticas aumentaram. A tecnologia mudou. E, talvez mais importante, mudou a forma como esperamos viver dentro dos edifícios.

O desempenho energético deixou de ser secundário

A Europa tem vindo a aumentar progressivamente as exigências de desempenho energético dos edifícios, e Portugal integra esse enquadramento através do Sistema de Certificação Energética e legislação associada.

Hoje, isolamento, controlo solar, estanquidade, ventilação, equipamentos eficientes e energias renováveis entram muito mais cedo na conversa. Isso influencia diretamente a arquitetura e a construção.

O parque habitacional mostra porque isto importa

Os Censos 2021 mostram que cerca de metade dos edifícios habitacionais portugueses foi construída até 1980. Uma parte significativa do país habita, portanto, edifícios concebidos antes das atuais exigências de conforto e desempenho energético.

A Estratégia de Longo Prazo para a Renovação de Edifícios assinalou, num relatório de progresso, que a área renovada com enfoque na eficiência energética estava próxima de apenas 2% face a 2018. É uma das razões pelas quais reabilitação energética e adaptação do edificado existente terão tanto peso nas próximas décadas.

O que aponta o horizonte de 2050?

A DGEG desenvolveu o modelo JANUS B para estudar a evolução do parque residencial português, distinguindo edifícios não renovados, parcialmente renovados e profundamente renovados.

Nos cenários estudados, o objetivo é apoiar a transição para um setor residencial de elevada eficiência, maior conforto térmico, utilização muito elevada de fontes renováveis e emissões operacionais muito reduzidas. Não é uma previsão automática do que acontecerá; é uma ferramenta de planeamento para avaliar caminhos possíveis.

Também mudámos nós

Há vinte anos, um escritório em casa podia ser uma exceção. Hoje pode ser uma necessidade. Cozinhas tornaram-se frequentemente espaços sociais. A ligação interior/exterior ganhou importância. Conforto acústico, iluminação, conectividade e eficiência energética têm outro peso nas decisões.

Construir para durar implica antecipar essa evolução.

Mais de 20 anos de experiência servem para construir melhor hoje

Conhecer problemas que já aconteceram. Perceber quais detalhes provocaram patologias. Saber que decisões parecem pequenas durante a execução mas têm consequências anos depois. E, ao mesmo tempo, manter abertura para novos materiais e novos sistemas.

É essa combinação que interessa.

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