- ≈30%
- do consumo final de energia em Portugal está associado aos edifícios
- 20,8%
- da população em agregados sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida, 2023
- 1 sistema
- janela = vidro + caixilho + ferragens + juntas + instalação
Uma casa eficiente não começa na máquina que aquece ou arrefece. Começa na própria casa.
Uma boa janela pode fazer diferença. Mas uma casa não é uma janela.
Quando uma habitação é demasiado fria no inverno ou demasiado quente no verão, a primeira reação é muitas vezes procurar um equipamento mais potente. Mais aquecimento. Mais ar condicionado. Ou novas janelas.
Todas estas soluções podem ser válidas. Mas a ordem das decisões importa. Segundo a DGEG, os edifícios representam aproximadamente 30% do consumo final de energia em Portugal. Ao mesmo tempo, o conforto continua a ser um problema real: a ADENE refere que, segundo dados do INE relativos a 2023, 20,8% da população vivia em agregados sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida.
Vidro duplo não significa automaticamente janela eficiente
Uma janela é um sistema. Inclui vidro, caixilho, ferragens, juntas, caixas de estore, instalação e ligação à parede.
O próprio sistema CLASSE+ permite comparar o desempenho energético das janelas e reforça um ponto importante: um produto eficiente precisa de ser corretamente instalado para proporcionar os benefícios esperados de conforto e poupança.
Por isso, perguntar apenas “tem vidro duplo?” é insuficiente. É preciso perceber o desempenho do conjunto.
Também é preciso pensar no sol
No Algarve isto torna-se particularmente relevante. Uma grande janela pode proporcionar excelente luz natural e simultaneamente permitir ganhos solares significativos durante os meses mais quentes.
Orientação, dimensão do vão, tipo de vidro e sistemas de sombreamento devem ser pensados em conjunto. Uma boa estratégia pode incluir palas, estores, persianas ou outras formas de controlo solar. O objetivo não é eliminar o sol. É utilizá-lo quando é benéfico e controlá-lo quando provoca sobreaquecimento.
E depois vem a restante envolvente
Uma casa pode ter janelas excelentes e continuar a perder energia pela cobertura, paredes ou outras zonas construtivas. É por isso que uma intervenção energética deve olhar para o edifício como um todo.
O isolamento da cobertura pode, por exemplo, ter um impacto significativo numa determinada casa, enquanto noutra o principal problema pode estar nos vãos. O Certificado Energético pode ser útil neste diagnóstico porque, nos edifícios existentes, identifica medidas potenciais de melhoria do desempenho energético.
Só depois devemos perguntar: “que equipamento?”
Ar condicionado, bomba de calor, piso radiante ou outro sistema não devem ser analisados isoladamente. Primeiro: quanto calor entra ou sai desta casa? Depois: quanto precisamos realmente de produzir para manter conforto?
Quanto melhor funcionar passivamente o edifício, menor poderá ser a necessidade de climatização. Esta é uma diferença importante entre simplesmente instalar equipamentos e projetar conforto.