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Guia de obra

Construção · 3 min

Construção modular ou tradicional: qual faz mais sentido?

Modular não significa automaticamente mais barato e tradicional não significa antiquado. Conheça os critérios que realmente importam.

55,3%
alvenaria na amostra do estudo UCI
27,8%
construção modular
10,3%
madeira
Na construção, o método é um meio. Não é o objetivo.

A pergunta parece simples. A resposta raramente é.

Construção modular ou construção tradicional? A popularidade da construção modular trouxe uma ideia bastante apelativa: fabricar mais componentes em ambiente controlado, reduzir trabalho no estaleiro e potencialmente diminuir alguns prazos.

Mas transformar isso em “modular é sempre mais rápido e barato” seria simplificar demasiado. O mesmo acontece com a construção tradicional. Ser mais utilizada não significa que seja automaticamente a solução adequada para todos os projetos.

A construção modular já é uma opção relevante

No estudo da UCI/Spirituc sobre 611 pessoas que construíram habitação recentemente, 55,3% referiram ter escolhido construção em alvenaria. Entre as alternativas, 27,8% mencionaram construção modular e 10,3% madeira.

Estes valores referem-se à amostra do estudo e não devem ser interpretados como quota do mercado nacional, mas mostram que os sistemas alternativos já entram claramente na consideração de muitos particulares.

O sistema construtivo não elimina o projeto

Uma casa modular continua a precisar de terreno adequado, implantação, fundações, infraestruturas, desempenho térmico, acústica, instalações e compatibilização entre especialidades.

E o facto de um edifício ser modular não o coloca automaticamente fora das regras urbanísticas. O RJUE define “edificação” independentemente do sistema construtivo utilizado. Por isso, “é modular, não precisa de licenciamento” não deve ser utilizado como regra.

Onde pode ganhar a construção modular?

Sobretudo na previsibilidade de processos repetíveis. Produção em ambiente controlado pode reduzir determinadas variáveis do estaleiro e permitir que diferentes fases avancem em paralelo.

Mas isso funciona melhor quando existe decisão antecipada. Quanto mais alterações existirem depois de iniciada a produção, menor tende a ser essa vantagem.

E onde continua forte a construção tradicional?

Na flexibilidade. Terrenos complexos, arquitetura muito específica, integração com estruturas existentes ou projetos que exigem elevada adaptação podem beneficiar da liberdade de execução tradicional.

Mas “tradicional” também já não significa construir exatamente como se construía há décadas. Hoje podem coexistir alvenaria, sistemas industrializados, elementos pré-fabricados e componentes produzidos fora do estaleiro dentro do mesmo projeto.

Talvez a escolha nem seja binária

O futuro da construção não tem necessariamente de ser modular versus tradicional. Pode ser uma combinação.

O objetivo deve continuar a ser encontrar a solução que melhor responde a prazo, orçamento, arquitetura, terreno, logística, desempenho e utilização futura.

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